Geriatria Clínica

GUIA PRÁTICO DE VACINAÇÃO DO IDOSO

Diversos estudos mostram que tanto a incidência quanto as taxas de internação e de mortalidade por doenças infecciosas – grande parte imunopreveníveis – são maiores conforme aumenta a idade. Isso se deve à imunossenescência e também ao número de comorbidades que costuma incidir nos indivíduos idosos. As doenças infectocon-tagiosas também aumentam o prejuízo funcional após sua ocorrência. Portanto, durante a avaliação clínica do idoso é fundamental investigar sua situação vacinal, seguindo as diretrizes do calendário de vacinação para esta faixa etária. 

 

O GeriClass organizou as principais informações que o médico deve ter em mãos para orientação vacinal ao paciente idoso. Mas, antes, vamos a algumas considerações importantes:

 

Aplicação simultânea de vacinas:

  • Segura em locais anatômico diferentes;
  • Indicada em situações em que o paciente necessita receber um maior número de vacinas no menor tempo possível.

 

Tipos de vacinas:

  • Vírus vivos atenuados
    • Vacinas elaboradas a partir de microrganismos selvagens selecionados e enfraquecidos por passagens em meios especiais de cultura;
    • São elas: BCG, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), febre amarela, poliomielite oral, rotavírus, varicela, herpes zóster atenuada e dengue;
    • Provocam infecção similar à natural;
    • Grande capacidade protetora, imunidade a longo prazo;
    • A aplicação de vacinas vivas atenuadas e de produtos contendo imunoglobulinas deve ocorrer respeitando-se intervalos mínimos, que vão de 3 até 11 meses;
    • Contraindicadas em pacientes com imunodepressão grave;
      • Corticoides: prednisona na dose >/= 20mg/dia por 14 dias ou seu equivalente;
      • Biológicos em qualquer dose;
      • Imunossupressores não biológicos: imunossupressão depende da dose (metotrexato, micofenolato de mofetila, tacrolimus, azatioprina, ciclofosfamida, leflunomida, 6-mercaptopurina).
    • Pacientes não imunodeprimidos que iniciarão quimioterapia ou outra terapia imunossupressora, que serão submetidos a transplante de órgãos sólidos ou de células tronco-hematopoiéticas (TCTH): administração da vacina de vírus vivo atenuado idealmente com 4 semanas de antecedência e no mínimo 15 dias antes;
    • Pessoas submetidas a TCTH devem aguardar no mínimo 2 anos para a aplicação de vacinas vivas atenuadas, ocasião em que o sistema imunológico estará restabelecido;
    • Se rejeição do órgão transplantado (doença do enxerto contra o hospedeiro), as vacinas vivas atenuadas permanecem contraindicadas.


  • Vírus inativados
    • Não possuem em sua formulação agentes infecciosos vivos;
    • Podem ser aplicadas com segurança em imunodeprimidos e durante tratamento com imunodepressores;
    • Necessário reaplicar após interrupção do uso desses medicamentos, devido à resposta vacinal inferior nesse período;
    • Podem ser realizadas no pré- e pós-transplante de órgãos sólidos, porém, no pós, aguardar período de 2 meses para que a produção de anticorpos seja mais efetiva;
    • Pessoas submetidas a TCTH devem aguardar no mínimo 3 meses para iniciar a aplicação de vacinas inativadas.

 

Vacina influenza

  • Dose única anual no outono (março/abril no Hemisfério Sul);
  • Vírus inativados e fragmentados trivalemtes (disponível no SUS) ou tetravalentes (disponível em clínicas privadas);
  • Via intramuscular ou subcutânea em casos específicos (coagulopatia, trombocitopenia);
  • Evitar vacinar em vigência de doença febril moderada a grave;
  • História de reações alérgicas a ovo de galinha, mesmo quando graves, como a anafilaxia, não são mais consideradas contraindicação nem precaução para o uso da vacina influenza;
  • Contraindicações:
    • Reação anafilática a dose prévia;
    • Síndrome de Guillain-Barré até 6 semanas após imunização.
  • Efeitos adversos 
    • Dor, edema e eritema local;
    • Eventos sistêmicos leves: febre, mialgia, mal-estar;
    • Reações anafiláticas e Síndrome de Guillain-Barré são raras.

 

Vacinas Pneumocócicas

  • Dose única da vacina conjugada 13-valente (VCP13) seguida, após 6 a 12 meses, da vacina polissacarídica 23-valente (VPP23);
  • Se comorbidades de risco para doença pneumocócica (insuficiência cardíaca, diabetes, doença renal crônica e DPOC), intervalo pode ser reduzido para 2 meses;
  • Após cinco anos da VPP23, deve-se aplicar uma segunda dose desta; 
  • Para quem já recebeu anteriormente uma dose de VPP23, respeitar intervalo mínimo de 1 ano para aplicar a VCP13 e agendar uma segunda dose de VPP23 para 5 anos após a primeira administração da VPP23;
  • Se segunda dose da VPP23 foi aplicada antes dos 65 anos, aplicar uma terceira dose 5 anos após a última dose;
  • Via de aplicação intramuscular;
  • Deve ser adiada na vigência de doença febril aguda;
  • Contraindicada se reação anafilática a dose prévia;
  • Disponíveis em serviços privados de vacinação e nos Centros de Referência Para Imunobiológicos Especiais (CRIE), para aqueles que fazem parte de grupos de risco determinados no manual do CRIE;
  • Efeitos adversos
    • Dor e eritema local;
    • Febre e reações anafiláticas são raras.

 

Vacinas Herpes Zoster

  • Atenuada (Zostavax®)
  • Licenciada para pessoas > 50 anos, indicada de rotina para imunocompetentes > 60 anos;
  • Se vigência de Zoster ativo, aguardar 6 meses a 1 ano para vacinar;
  • Dose única por via subcutânea;
  • Redução de 51% da ocorrência de Herpes Zoster e de 67% de neuropatia pós-herpética;
  • Contraindicada em imunodeficiência grave por doença ou medicação.


  • Inativada/Recombinante (Shingrix®)
  • Indicada para pessoas > 50 anos e para > 18 anos imunocomprometidos;
  • 2 doses com intervalo de 2 meses por via intramuscular;
  • Eficácia: 
  • Imunocompetentes: 97% (50 a 69 anos), 91% (> 70 anos) para Herpes Zoster; 91% (50 a 69 anos) e 89% (> 70 anos) para neuralgia pós-herpética;
  • Imunocomprometidos: de 68 a 91% para prevenção do Zoster a depender da condição de base.
  • Precauções pacientes imunocomprometidos:
  • Transplante de medula óssea: vacinar 6 a 12 meses após transplante, de preferência, 2 meses antes da descontinuação da medicação imunossupressora;
  • Receptores de transplantes de órgãos sólidos: vacinar antes do transplante. Se inviável, aguardar 6 a 12 meses após o transplante;
  • Pacientes com câncer: procurar vacinar antes do início da quimioterapia, radioterapia, tratamento com imunossupressores ou esplenectomia;
  • Pacientes em uso de anticorpos monoclonais: vacinar pelo menos 4 semanas antes da próxima dose;
  • Pacientes vivendo com HIV/AIDS: quanto maiores os níveis de CD4 e menor a carga viral, melhor a resposta imune à vacina;
  • Pacientes com doença autoimune: quando possível, vacinar antes de iniciar a imunossupressão.
  • Efeitos adversos:
  • Dor, vermelhidão e edema locais;
  • Mialgia, fadiga, cefaleia, tremores, febre, doença gastrointestinal.
  • Precauções e contraindicações:
  • Adiar na vigência de doença febril aguda;
  • Contraindicada em caso de anafilaxia a dose anterior;
  • Em caso de Zoster, vacinar após 6 meses, porém, pode-se recomendar a vacinação logo após a resolução do quadro agudo, dado o risco de perda de oportunidade vacinal e raridade da recorrência da doença a curto prazo;
  • Se vacinação prévia com vacina atenuada, recomenda-se vacinação com a inativada após período de 2 meses.



Vacina DPT (Difteria, Tétano e Coqueluche)

  • Indicada para todos os idosos, inclusive com histórico dessas infecções, uma vez que não conferem imunidade permanente;
  • Se esquema vacinal completo, ainda que na infância (3 doses): dTpa ou dT a cada 10 anos;
  • Idosos com esquema incompleto (< 3 doses na vida): uma dose de dTpa a qualquer momento + 1 ou 2 doses de dT (a depender de quantas faltam para completar o esquema); após, dTpa ou dT a cada 10 anos;
  • Idosos com história vacinal desconhecida ou não vacinados contra o tétano: 1 dose de dTpa a qualquer momento + 2 doses de dT (0 – 2 –  4 a 8 meses); após, dTpa ou dT a cada 10 anos;
  • Administrada via intramuscular;
  • Contraindicada em caso de anafilaxia a dose prévia;
  • Eventos adversos: reações locais.

 

Vacina Hepatite B

  • Via intramuscular em 3 doses (0 – 1 – 6 meses);
  • Imunossuprimidos e renais crônicos: dose dobrada em 4 aplicações (0 – 1 – 2 – 6 meses)
  • Soroconversão > 90% em adultos saudáveis, tendendo a reduzir entre idosos e imunodeprimidos;
  • Eventos adversos: dor, eritema, edema, cefaleia, mal-estar;
  • Adiar vacinação em vigência de doença febril aguda;
  • Contraindicada em caso de anafilaxia a dose prévia.

 

Vacinas COVID 19

  • Devido ao dinamismo da epidemiologia da covid-19 e das respostas vacinais, as recomendações têm sido frequentemente alteradas. Para atualização, acesse www.sbim.org.br/covid-19.





Vacinas de uso não rotineiro no idoso




Fonte: Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia

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