Transtornos do humor, incluindo depressão maior, distimia e depressão subsindrômica são comuns entre idosos e estão associados a desfechos negativos em saúde e impacto na qualidade de vida. A resposta ao tratamento inicial com antidepressivo em estudos clínicos varia entre 35-73%. Definição comumente aceita de depressão resistente é a ausência de melhora dos sintomas a despeito de tentativas adequadas com duas classes diferentes de antidepressivos durante ao menos 8 semanas.
A avaliação de depressão resistente requer confirmação diagnóstica com ferramentas validadas e a busca por condições associadas consideradas fatores de risco, tais quais:
– Distimia;
– Ideação suicida;
– Transtorno bipolar;
– Transtorno esquizoafetivo;
– Ansiedade;
– Abuso de álcool e drogas;
– Idade precoce do início da depressão maior (< 18 anos);
– Eventos adversos na vida;
– Alguns traços de personalidade;
– Morbidades: doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, diabetes, câncer, doenças neurológicas.
O PHQ-9 é uma ferramenta validada tanto para estabelecer o diagnóstico quanto para avaliar o progresso do tratamento. Uma pontuação abaixo de 5 costuma ser o alvo terapêutico.
Embora a remissão da depressão maior unipolar frequentemente não ocorra após o tratamento inicial, cerca de 67% dos pacientes apresentam remissão após um ou mais esquemas terapêuticos na próxima etapa.
COMO TRATAR?
– Inicialmente, classificar a depressão maior resistente como leve a moderada ou grave.
DEPRESSÃO RESISTENTE LEVE A MODERADA (PHQ-9 < 20 pontos)
– Se leve a moderada, discutir com o paciente, de acordo com sua preferência, a opção por uma abordagem focada na eficácia ou na tolerabilidade.
– Se preferência por eficácia: instituir adição de segunda terapêutica ao antidepressivo já utilizado pelo paciente:
Ordem de preferência na escolha do antipsicótico: aripiprazol >> risperidona >> quetiapina >> brexpiprazol.
– Se preferência por tolerabilidade: associar segundo antidepressivo (evitar IMAO e tricíclicos, pelo perfil de segurança ao paciente idoso). Opções:
OU
E ASSOCIAR
>> Antidepressivo atípico (bupropiona ou mirtazapina).
>> Se não houver resposta, trocar antidepressivo, considerando o uso de modulador da serotonina (vortioxetina, trazodona ou vilazodona) ou considerar estimulação magnética transcraniana.
DEPRESSÃO RESISTENTE GRAVE (PHQ-9 > 20 pontos)
– Além do arsenal terapêutico já em uso, referenciar para atendimento com psiquiatra e considerar as opções: eletroconvulsoterapia, quetamina, escetamina.
REFERÊNCIAS:
– Depressão unipolar resistente ao tratamento em adultos: epidemiologia, fatores de risco, avaliação e prognóstico – UpToDate
– Depressão unipolar em adultos: escolha do tratamento para depressão resistente – UpToDate
– Treatment-Resistant Depression in Older Adults: NEJM, 15 de fevereiro de 2024 (DOI: 10.1056)