A dengue é uma doença endêmica no Brasil, porém de padrão sazonal, com aumento do número de casos nos meses quentes e chuvosos e maior risco para epidemias. Enfrentamos neste momento tal período, e os idosos se destacam como população de risco, devido à presença de comorbidades e ao uso de algumas medicações, como antiagregantes e anticoagulantes.
Há mais de 20 anos o Ministério da Saúde disponibiliza um guia para diagnóstico e manejo clínico da dengue, como instrumento auxiliar da prática clínica baseada em evidências. A edição atual enfatiza a importância dos grupos de risco e, em especial, destaca os idosos como grupo de maior vulnerabilidade para desfechos fatais. Além disso, foram revisadas algumas orientações incluindo aquelas em usuários de anticoagulantes e antiagregantes.
Devido às comorbidades apresentadas pelos pacientes idosos, como acidente vascular encefálico, uso de stents, doença arterial oclusiva periférica e doença arterial coronariana, é comum que estes façam uso de anticoagulantes e antiplaquetários. A seguir, resumiremos as diretrizes presentes na sexta edição do manual quanto ao manejo destas drogas no paciente com dengue.
Pacientes tratados com dupla antiagregação plaquetária – DAPT: AAS e clopidogrel
Pacientes em uso de ácido acetilsalicílico – AAS
Uso de varfarina sódica
A complicação principal no uso de anticoagulante oral, especialmente a varfarina sódica, é o sangramento em diversos graus. São considerados como principais determinantes para complicações hemorrágicas:
Nas situações em que o risco trombótico é maior, o uso da varfarina é imprescindível (portadores de próteses cardíacas metálicas, nos casos de fibrilação atrial com alto risco de fenômenos tromboembólicos, na embolia pulmonar e nas síndromes trombofílicas). Nestes casos:
Uso de inibidores de trombina ou de antifator Xa
Essas duas classes de medicamentos, diferentemente da varfarina, não permitem avaliar por meio de um teste a eficácia da anticoagulação, portanto acabam refletindo na conduta adotada em relação aos pacientes com dengue. A possibilidade de suspensão desses medicamentos por alguns dias deve ser analisada com cautela.
MEDICAMENTO | MEIA-VIDA (HORAS) |
Dabigatrana | 12 a 17 |
Rivaroxabana | 5 a 9 |
Apixabana | 8 a 15 |
Edoxabano | 10 a 14 |
Suspensão dos antiagregantes e anticoagulantes
Em caso de sangramento moderado ou grave, as medicações antiagregantes e anticoagulantes devem ser suspensas.
OBSERVAÇÕES:
Em 2023 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) registrou o andexanete como medicação indicada para reversão dos inibidores do fator Xa (apixabana e rivaroxabana). O efeito máximo foi observado dentro de 2 a 5 minutos do bolus e mantido durante a infusão contínua. Hemostasia boa ou excelente foi relatada em 80% dos pacientes tratados com o antídoto. Como o andexanete tem meia-vida curta, os pacientes podem retomar a anticoagulação assim que clinicamente apropriado.
Já o idarucizumabe é um anticorpo monoclonal que atua como agente reversor específico da dabigatrana. Estudos de eficácia mostraram que a maioria dos pacientes atingiu reversão completa dos efeitos anticoagulantes da dabigatrana nas primeiras 4 horas após a administração do antídoto.
Na prática, estas medicações não costumam ser utilizadas nos casos de sangramentos graves em pacientes em uso de anticoagulantes orais pelo alto custo.
REFERÊNCIAS: