Nas últimas duas semanas abordamos o tema inflamação na doença arterial coronariana e os benefícios da colchicina em baixa dose na prevenção de novos eventos em pacientes pós-IAM.
Em sequência, trazemos hoje um terceiro estudo da New England para fechar o ciclo de publicações no GeriClass sobre o tema, ainda abordando a ação da colchicina, desta vez na doença arterial coronariana (DAC) crônica. Vamos aos highlights?
Introdução
A despeito das mudanças no estilo de vida e redução dos fatores de risco, pacientes com DAC ainda apresentam alto risco para eventos coronarianos agudos. O papel central da inflamação sobre a progressão da doença coronariana já é bem estabelecido.
O estudo COLCOT, envolvendo pacientes até 30 dias pós-IAM, mostrou redução no end point primário dentre aqueles que usaram colchicina quando comparados aos que usaram placebo.
O LoDoCo (low dose colchicine) consistiu num estudo aberto que envolveu apenas 532 pacientes e que mostrou redução de eventos em pacientes com DAC que usaram a colchicina. Tais resultados requeriam confirmação, levando ao estudo que vamos discutir hoje – o LoDoCo2.
Métodos
Estudo duplo cego, placebo controlado, randomizado.
Foram randomizados 5.522 pacientes portadores de DAC crônica em grupo que recebeu 0,5mg de colchicina diariamente e outro grupo que recebeu placebo.
O tempo médio de seguimento dos participantes foi de 28,6 meses.
Média de idade dos pacientes foi 66 ± 8,6 anos.
End point primário foi composto por: morte por causa cardiovascular, IAM espontâneo (não associado a procedimento), AVE isquêmico ou revascularização coronariana induzida por isquemia.
Resultados
O end point primário ocorreu em 6,8% dos pacientes do grupo da colchicina e em 9,6% dos pacientes do grupo placebo.
A incidência foi de 2,5 X 3,6 eventos por 100 pessoas/ano, com HR de 0.69, P<0.001.
A colchicina não reduziu morte por qualquer causa quando comparada ao placebo.
O end point primário do Estudo LoDoCo (morte súbita cardíaca, síndrome coronariana aguda, AVE isquêmico aterosclerótico e PCR não fatal extra-hospitalar) também foi avaliado no LoDoCo2, com incidência de 2,7 eventos por 100 pessoas/ano no grupo da colchicina em comparação a 4 eventos por 100 pessoas/ano no grupo placebo – HR 0.67.
Mortes por causas não cardiovasculares ocorreram mais frequentemente dentre os pacientes que receberam colchicina (incidência de 0.7 eventos por 100 pessoas/ano no grupo da colchicina X 0.5 no grupo placebo).
Conclusão
Os pacientes com DAC crônica que receberam 0,5mg/dia de colchicina apresentaram um risco relativo 31% menor de apresentar morte de causa cardiovascular, IAM espontâneo, AVE isquêmico ou revascularização coronariana induzida por isquemia.
Os resultados apresentados são consistentes com estudos anteriores, como COLCOT e LoDoCo, e trazem mais suporte quanto aos potenciais benefícios da terapia antiinflamatória em pacientes com doença coronariana.
REFERÊNCIA:
Nidorf, S.M., et al. Colchicine In Patients with Chronic Coronary Disease. N Engl J Med, Setembro 2020.