Geriatria Clínica

Colchicina em baixa dose pós-IAM

A doença isquêmica cardíaca é a maior causa de mortalidade mundial, e a maioria das mortes por doença cardiovascular (cerca de 80%) ocorre em pacientes com mais de 65 anos. Mais da metade das pessoas acima de 60 anos já apresenta estenose significativa de pelo menos uma artéria coronária, havendo uma progressão da gravidade da doença aterosclerótica a cada década.

Na última semana trouxemos um artigo que versava sobre biomarcadores de risco cardiovascular. Seguimos na segunda semana de uma sequência de 3 artigos sobre o tema, trazendo hoje estudo da New England que aborda o uso da colchicina em pacientes pós-IAM.

Conforme observamos na revisão sobre os biomarcadores na doença cardiovascular, a inflamação parece desempenhar um papel importante na aterosclerose. O estudo COLCOT (Colchicine Cardiovascular Outcome Trials) propõe avaliar os efeitos da colchicina sobre desfechos cardiovasculares e seu perfil de segurança em pacientes que tiveram IAM recente. Vamos aos highlights?

 

Métodos

  • Estudo duplo-cego, randomizado, placebo-controlado, envolvendo pacientes selecionados dentro de 30 dias após IAM (média de 13,5 dias).
  • Pacientes foram acompanhados por uma média de 22,6 meses.
  • 4745 pacientes participaram do estudo e foram alocados em grupos da colchicina 0,5mg/dia e placebo, na proporção de 1:1.
  • Média de idade: 60,6 anos.
  • Tempo médio de prescrição da medicação do estudo: 19,5 meses no grupo placebo e 19,6 meses no grupo da colchicina.
  • 99% dos pacientes receberam terapia conforme guideline com AAS, estatina de alta potência e outro antiagregante plaquetário.
  • End point primário composto por morte por causas cardiovasculares, parada cardiorrespiratória ressuscitada, IAM, AVC ou hospitalização urgente por angina levando a revascularização coronariana.

 

Resultados

  • End point primário ocorreu em 5,5% dos pacientes no grupo da colchicina e em 7,1% daqueles no grupo placebo (RR 0.77, P=0.02).
  • Nas avaliações de cada desfecho isolado do end point:
    • Morte por causas cardiovasculares: RR 0.84.
    • Parada cardiorrespiratória ressuscitada: RR 0.83
    • IAM: RR 0.91
    • AVC: RR 0.26
    • Hospitalização de urgência por angina levando a revascularização coronariana: RR 0.50
  • Efeitos adversos:
    • Diarreia: 9,7% no grupo da colchicina e 8,9% no grupo placebo (P=0.35).
    • Pneumonia (reportada como efeito adverso grave): 0,9% no grupo da colchicina e 0,4% no grupo placebo. 

 

Conclusão

  • O resultado do estudo ocorreu principalmente devido à redução da incidência de AVC’s e de hospitalizações de urgência por angina levando a revascularização coronariana.
  • Dentre os pacientes com IAM recente, a administração de colchicina na dose de 0,5mg/dia levou a um percentual significativamente menor de indivíduos com eventos cardiovasculares isquêmicos quando comparado ao placebo.

 

REFERÊNCIA:

  • Tardif, Jean-Claude et al. Efficacy and Safety of Low-Dose Colchicine after Myocardial Infarction. N Engl J Med, Novembro 2019.
  • Tratado de Geriatria e Gerontologia. Freitas, E.V.; Py, L.; Neri, A. L.; Cançado, F. A.. X.C.; Gorzoni, M.L.; Doll, J. 5ª. Edição.

 

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