Geriatria Clínica

TERAPIA DE OSTEOPOROSE EM IDOSOS

Osteoporose é uma doença silenciosa, caracterizada por baixa massa óssea e fragilidade esquelética, levando a maior predisposição a fraturas. Acomete mais de 200 milhões de pessoas no mundo, sendo mais prevalente em mulheres pós-menopausa.

O avançar da idade é um fator de risco importante para perda óssea. O problema é tão sério que trazemos alguns dados para ilustrar: aos 60 anos, metade das mulheres possui osteopenia ou osteoporose, mais de 20% das mulheres na pós-menopausa apresentam fraturas vertebrais e uma em cada duas mulheres apresentará uma fratura ao longo da vida.

O GeriClass traz hoje um guia rápido e prático com as principais terapias utilizadas no tratamento da osteoporose.

 

Intervenções ambientais e Mudança de estilo de vida

 

  • Corrigir fatores de risco: cessação de tabagismo, uso moderado de álcool, manutenção de IMC > 20, reduzir dose de corticoide quando apropriado.
  • Manejar risco de quedas: cuidados com a visão, modificação do ambiente domiciliar, minimizar medicações sedativas, prevenir hipotensão postural.
  • Atividade física: exercícios de impacto e resistidos de alta intensidade, treinamento de equilíbrio.
  • Suplementação proteica.
  • Prevenção de deficiência de vitamina D.
  • Ingestão de 1.200mg/dia de cálcio.

 

Tratamento farmacológico

 

O tratamento farmacológico consiste de duas categorias:

Agentes antirreabsortivos: reduzem a reabsorção óssea e preservam a massa óssea existente.

Agentes anabólicos: estimulam a formação óssea e substituem a massa óssea perdida.

 

Agentes antirreabsortivos (Bisfosfonatos)

 

  • Alendronato (Oral) – redução do risco de fratura vertebral e de quadril.
    • Indicações: 70mg/semana: tratamento de osteoporose pós-menopausa, masculina e induzida por corticoide. 35mg/semana: prevenção de osteoporose pós-menopausa.
    • Cuidados e efeitos adversos: Tomar em jejum com um copo cheio de água, manter-se ereto e em jejum por 60 minutos. Sintomas gastrointestinais em 20-30% (contraindicado em doença gastrointestinal alta em atividade). Segurança não estabelecida quando taxa de filtração glomerular (TFG) < 30-35 mL/min. Fratura atípica de fêmur (FAF) aumenta com duração da terapia. Incidência de osteonecrose de mandíbula (ONM) < 0.01%.
    • Duração sugerida e seguimento: tratamento por 5 anos, seguido de holiday de 1-2 anos.

 

  • Risedronato (Oral) – redução do risco de fratura vertebral e de quadril.
    • Indicações: 35mg/semana ou 150mg/mês. Tratamento ou prevenção de osteoporose pós-menopausa; tratamento de osteoporose masculina e induzida por corticoide.
    • Cuidados e efeitos adversos: Tais quais descritos para o alendronato. Poucos estudos para estimar incidência de FAF e ONM.
    • Duração sugerida e seguimento: tratamento por 5 anos, seguido de holiday de 6 a 12 meses.

 

  • Ibandronato (Oral) – redução do risco apenas de fratura vertebral.
    • Indicações: 150mg/mês. Tratamento ou prevenção de osteoporose pós-menopausa.
    • Cuidados e efeitos adversos: requer TFG > 30 mL/min. Tomar em jejum com um copo cheio de água, manter-se ereto e em jejum por 60 minutos. Sintomas gastrointestinais em 20-30% (contraindicado em doença gastrointestinal alta em atividade). Poucos estudos para estimar incidência de FAF e ONM.
    • Duração sugerida e seguimento: tratamento por 5 anos, seguido de holiday de 1-2 anos.

 

  • Zolendronato (Venoso) – redução do risco de fratura vertebral e de quadril.
    • Indicações: 5mg/ano: tratamento de osteoporose pós-menopausa, masculina e induzida por corticoide, e prevenção de fratura após fratura de quadril. 5mg a cada 2 anos: prevenção de osteoporose pós-menopausa.
    • Cuidados e efeitos adversos: infusão venosa em 100mL em pelo menos 15 minutos. Requer TFG > 30-35 mL/min. Garantir níveis repletos de vitamina D antes da infusão. Sintomas “flu-like” autolimitados em 30-40% dos pacientes após primeira dose. Poucos estudos para estimar incidência de FAF e ONM.
    • Duração sugerida e seguimento: Com dose anual, tratar por 3 a 6 anos, seguidos de holiday de 3 a 5 anos. Alternativa: infundir a cada 1,5 ano inicialmente, aumentando para intervalos de 2 a 3 anos ao longo do tempo.

 

Modulador seletivo dos receptores de estrogênio (SERM)

 

  • Raloxifeno (Oral) – redução do risco de fratura vertebral, não determinado para quadril.
    • Indicações: 60mg/dia. Prevenção e tratamento de osteoporose pós-menopausa.
    • Cuidados e efeitos adversos: risco 3 vezes maior de tromboembolismo venoso, porém risco reduzido de câncer de mama.
    • Duração sugerida e seguimento: benefício sobre a massa óssea provavelmente não supera o tempo de tratamento.

 

Anticorpo monoclonal anti-RANKL

 

  • Denosumabe (Subcutâneo) – redução do risco de fratura vertebral e de quadril.
    • Indicações: 60mg a cada 6 meses. Tratamento de osteoporose pós-menopausa, masculina e induzida por corticoide, e pacientes com alto risco para fraturas.
    • Cuidados e efeitos adversos: Garantir níveis repletos de vitamina D antes da infusão. Não atrasar dose por mais de 1 mês. Risco de hipocalcemia, especialmente quando disfunção renal. Risco de fratura vertebral de rebote. Poucos estudos para estimar incidência de FAF, provavelmente similar aos bisfosfonatos.
    • Duração sugerida e seguimento: tratamento até 10 anos parece ser seguro e efetivo; holidays não apropriados; seguimento deve ser realizado com outra droga antirreabsortiva ou romosozumab.

 

Análogo do PTH

 

  • Teriparatida (Subcutâneo) – redução do risco de fratura vertebral, não determinado para quadril.
    • Indicações: 20mcg/dia. Tratamento de osteoporose pós-menopausa, masculina e induzida por corticoide, e pacientes com alto risco para fraturas.
    • Cuidados e efeitos adversos: hipercalcemia leve em 6-11%, pode ser necessário ajuste de dose; FDA recomenda considerar uso cumulativo > 2 anos apenas se risco de fratura se mantiver alto.
    • Duração sugerida e seguimento: tratar até 2 anos, seguidos de agente antirreabsortivo.




Anticorpo monoclonal anti-esclerostina

 

  • Romosozumabe (Subcutâneo) – redução do risco de fratura vertebral e de quadril.
    • Indicações: 210mg/mês. Tratamento de osteoporose pós-menopausa em pacientes com alto risco de fraturas ou aqueles que apresentaram falha ou não toleraram outras terapias.
    • Cuidados e efeitos adversos: contraindicado se IAM ou AVC em menos de 1 ano. Possível risco aumentado de eventos cardiovasculares graves quando comparado com alendronato. Casos de FAF e ONM mencionados em estudos iniciais, porém incidência real é desconhecida.
    • Duração sugerida e seguimento: tratar por 12 meses, seguidos de agentes antirreabsortivos.

 

REFERÊNCIAS:

– Reid, IR, Billington EO. Drug therapy for osteoporosis in older adults. The Lancet; March 12, 2022.

– Tratado de Geriatria e Gerontologia. Freitas, E.V.; Py, L.; Neri, A. L.; Cançado, F. A.. X.C.; Gorzoni, M.L.; Doll, J. 5ª. Edição.

– Geriatria. Diniz, Lucas Rampazzo, et.al. 1 ed. Rio de Janeiro: Medbook, 2020.

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