Geriatria Clínica

Uso de semaglutida em obesos com osteoartrite de joelho

Ilustração 3D de joelho humano em corte anatômico com cartilagem desgastada, cercado por moléculas, fluxos de dados e gráficos clínicos

 A osteoartrite (OA) de joelho é a forma mais prevalente de OA e leva a dor crônica, mobilidade reduzida, declínio funcional e impacto na qualidade de vida. A obesidade é um importante fator de risco no desenvolvimento e na progressão da OA de joelho, sendo a perda de peso capaz de aliviar os sintomas – com uma melhora de 2% na pontuação de WOMAC (Western Ontario and MacMaster Universities Osteoarthritis Index) a cada 1% de redução de peso – e de diminuir o risco de progressão estrutural.

Os guidelines sobre tratamento da OA de joelho recomendam redução de peso e atividade física como tratamentos de primeira linha para esta condição relacionada à obesidade. A semaglutida é uma droga aprovada em vários países para perda de peso em pacientes obesos ou com IMC > 27 naqueles com comorbidade relacionada ao peso.

Neste mês, a NEJM trouxe um artigo que mostrou o impacto do uso da semaglutida sobre os sintomas da OA de joelho em pacientes obesos. 

A osteoartrite é uma condição mais do que prevalente no atendimento ao idoso. Logo, o GeriClass não poderia deixar de trazer as atualizações para seus seguidores. Vamos aos highlights?

 

Métodos

  • Estudo duplo-cego, randomizado, placebo-controlado, que durou 68 semanas e foi realizado em 61 centros distribuídos em 11 países.
  • Os participantes eram portadores de obesidade e tinham um diagnóstico clínico e radiológico de OA de joelho com ao menos dor moderada.
  • Os participantes foram randomizados numa proporção 2:1 para receber dose semanal de semaglutida ou placebo, além de aconselhamento sobre perda de peso e atividade física.
  • O estudo teve ao todo 407 participantes com média de idade de 56 anos, IMC médio de 40.3 e pontuação média na escala de dor WOMAC de 70.9.
  • Os end points primários foram:
    • Mudança percentual no peso corporal;
    • Mudança na pontuação do escore de dor de WOMAC (numa escala de 0 a 100, com pontuações maiores refletindo piores desfechos).
  • O end point secundário foi a pontuação no SF-36 (36-Item Short Form Health Survey), em que, numa escala de 0 a 100, pontuações maiores indicavam maior bem-estar.

 

Resultados

  • A redução média do peso após 68 semanas foi de 13.7% com a semaglutida e de 3.2% com o placebo (P<0.001).
  • A redução média sobre a escala de dor WOMAC foi de 41.7 pontos com a semaglutida e de 27.5 pontos com o placebo (P< 0.001).
  • A mudança no SF-36 foi em média 12.0 pontos com a semaglutida X 6.5 pontos com o placebo (P<0.001).
  • Eventos adversos maiores ocorreram em 10% dos pacientes em uso da semaglutida X 8.1% daqueles em uso do placebo.
  • O uso de analgésicos durante o estudo foi reduzido, com maiores reduções observadas no grupo da semaglutida. Este achado corrobora que a diminuição da dor não ocorreu devido ao aumento do uso de analgésicos.

 

Limitações

  • O estudo foi patrocinado pela Novo Nordisk.
  • O estudo não foi desenhado com o intuito de investigar o mecanismo de ação da semaglutida sobre a OA de joelho. A perda de peso parece ser o grande contribuinte na redução do estresse mecânico sobre os joelhos. Porém, alguns estudos pré-clínicos tem demonstrado uma ação anti-inflamatória e anti-degenerativa dos agonistas dos receptores GLP-1.
  • Faltou acompanhamento com imagens e marcadores inflamatórios.
  • Não houve acompanhamento quanto à adesão às recomendações dietéticas e de atividade física.

 

REFERÊNCIA:

– Bliddal, H. et al. Once-Weekly Semaglutide in Persons with Obesity and Knee Ostheoarthritis. N Engl J Med, Outubro 2024.

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